O último domingo, 17 de janeiro de 2021, foi um dia histórico. Após a avaliação positiva de três áreas técnicas para o uso das vacinas contra o Coronavirus, a maioria da diretoria da Anvisa votou pela aprovação do uso emergencial da mesma. A decisão refere-se a 6 milhões de doses importadas da vacina Coronavac, produzida pela farmacêutica chinesa Sinovac junto ao Instituto Butantan e de mais 2 milhões de doses importadas do laboratório Serum, da Índia, que produz a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford (Reino Unido) e pelo laboratório AstraZeneca. A Fiocruz também desenvolve a vacina no Brasil.
A aprovação da vacina significa muito mais que uma luz no fim do túnel da pandemia que enfrentamos há 11 meses. Essa é uma grande vitória da ciência contra o negacionismo de Bolsonaro e seus comparsas que tentaram inviabilizar a vacinação das formas mais absurdas, através da indicação do uso da cloroquina para tratamento preventivo, discursos que questionavam a seriedade e eficácia da vacina e até mesmo colocando em prova o trabalho desenvolvido pelos cientistas brasileiros que trabalharam incansavelmente desde o início da pandemia.
Cabe destacar que a aprovação se deu para a distribuição no sistema público de saúde e nenhuma das vacinas poderão ser comercializadas, garantindo assim uma vacinação mais democrática que não beneficie apenas os ricos. No entanto, foi ressaltado pela relatora que para a efetividade da vacina ela deverá ter aplicação em massa em toda a população brasileira e enquanto não for aplicada a todos será necessária a continuidade de medidas de proteção como distanciamento social e uso de máscaras. A vacinação deve, portanto, ser uma prioridade do governo federal e estadual por meio de campanhas que a viabilizem de forma urgente para a maior quantidade de pessoas possível, o mais rápido possível. Só assim finalmente caminharemos mais seguros ao fim da pandemia.
A covid-19 evidenciou o descaso de anos,do poder público com a população, sobretudo a mais pobre que sentiu todos os efeitos da pandemia mais de pertinho. Depois de tudo que enfrentamos é mais que evidente a necessidade e urgência de retirar do poder aquele que, inclusive, disse abertamente em entrevistas que por ser militar foi treinado a matar. E matou. Com seu negacionismo, descaso, omissão, mais de 200 mil pessoas.
Em contrapartida, o início da vacinação, ainda ontem no Estado de São Paulo, não poderia ter sido mais representativo para atual conjuntura em que vivemos: Mônica Calazans, mulher, preta, profissional da saúde que estava na linha de frente do combate ao vírus, foi a primeira brasileira a ser vacinada e agora carrega consigo a esperança de um Brasil que resiste apesar de Bolsonaro. Exigimos, além da vacinação para todos já, a queda de Bolsonaro, Mourão, Pazuello e toda corja genocida que rege nosso país hoje.