Francisca Pires
Francisca Pires

30/04/2026, 13h


Os trabalhadores e trabalhadoras da saúde de Parnamirim realizaram mais uma assembleia nesta quinta-feira (30), como parte da estratégia de mobilização definida pela categoria de realizar atividades no último dia de cada mês. Durante a reunião, os servidores debateram a situação da rede municipal de saúde e aprovaram novos encaminhamentos da luta em paralelo às negociações: uma paralisação de 24 horas no dia 12 de maio e a realização de uma nova assembleia geral no dia 29 de maio.

Um dos principais pontos discutidos foi a grave situação da UPA de Nova Esperança, a única Unidade de Pronto Atendimento do município. Os trabalhadores denunciam que há anos enfrentam uma rotina de sobrecarga devido à falta de profissionais. A categoria relata que o déficit no quadro de pessoal tem se agravado a ponto de, em alguns momentos, as escalas não conseguirem ser fechadas, comprometendo o funcionamento da unidade e colocando em risco a assistência à população. A pressão constante sobre os trabalhadores tem provocado adoecimento físico e mental, resultando em afastamentos que ampliam ainda mais o problema.

Durante a assembleia, também foi retomado o debate sobre as perdas salariais acumuladas da categoria e, apesar das recomposições salariais concedidas pela Prefeitura nos últimos anos, os percentuais seguem sendo insuficientes para repor as perdas acumuladas. Desde a implantação da Lei Complementar nº 149, de 15 de maio de 2019, os servidores da saúde receberam 6% em 2023, 7,5% em agosto de 2025, 5,5% em dezembro de 2025 e mais 5% previsto para ser implantado no contracheque de abril de 2026, totalizando 26,23%. No entanto, a inflação medida pelo INPC no período de maio de 2019 a fevereiro de 2026 foi de 43,24%, o que representa uma perda histórica de 13,47% nos salários dos trabalhadores da saúde.

Outro tema discutido foi a proposta da Prefeitura de ampliar o número de trabalhadores que recebem os recursos federais do Componente de Qualidade. Atualmente, os valores são divididos entre profissionais da atenção básica quando as equipes alcançam bons resultados nos indicadores do Ministério da Saúde. Pela proposta da gestão, o mesmo recurso passaria a ser dividido com todos os trabalhadores das unidades, incluindo contratos temporários, o que reduziria diretamente os valores recebidos pelos servidores efetivos.

Diante desse cenário, a categoria decidiu manter o calendário de mobilização e reforçar a luta por melhores condições de trabalho, recomposição salarial e pela contratação de profissionais suficientes para garantir o funcionamento adequado da rede municipal de saúde.