É com profundo pesar que o Sindsaúde/RN lamenta o falecimento de Maria das Graças Oliveira, de 73 anos, ocorrido no último dia 17 de agosto. Enfermeira aposentada, Maria das Graças dedicou 37 anos de sua vida ao serviço público de saúde, cuidando e atendendo à população do Rio Grande do Norte. Segundo informações divulgadas em reportagem do programa Balanço Geral, da TV Tropical, na última segunda-feira (17), Maria procurou a urgência do Hospital dos Pescadores, em Natal, no dia 9 de agosto, relatando fortes dores abdominais. Após ser atendida, foi medicada e liberada para casa. Como as dores persistiram, retornou à unidade no dia seguinte, segunda-feira (10), quando novamente foi medicada e liberada. Na quarta-feira (12), voltou à urgência, desta vez acompanhada de familiares, e, após muita insistência, foi internada.
De acordo com os relatos dos familiares divulgados pela reportagem, a aposentada permaneceu por cinco dias aguardando a liberação de dois exames necessários para identificar seu diagnóstico: uma endoscopia e uma tomografia. Os exames, segundo os familiares, só poderiam ser realizados no Hospital Walfredo Gurgel. Até o falecimento de Maria das Graças, porém, os exames ainda não haviam sido liberados. Para nós, do Sindsaúde/RN, que constantemente denunciamos a quebra de tomógrafos no maior hospital do Estado, as péssimas condições de trabalho e a falta de profissionais para atender à alta demanda da saúde pública do RN, o que aconteceu com Maria das Graças Oliveira expõe de forma dolorosa as consequências do desmonte e da precarização do SUS ao longo das últimas décadas.
Uma profissional que dedicou boa parte da sua vida ao atendimento e ao cuidado com o próximo na rede pública de saúde merecia, no momento em que mais precisou, um amparo digno, com atendimento humanizado, estrutura e recursos para garantir o cuidado necessário. O Sindsaúde/RN se solidariza com familiares, amigos e colegas de profissão de Maria das Graças e reafirma que a saúde não é mercadoria, a vida da nossa população importa e o atendimento humanizado, estruturado e com recursos salva vidas. É preciso defender o SUS e lutar por uma saúde pública que respeite e preserve a vida de quem dela precisa.