O SindSaúde/RN vem por meio desta nota de repúdio se solidarizar com todas as mulheres candidatas que estão concorrendo ao cargo de Deputada Federal e Deputada Estadual do estado do Rio Grande do Norte (RN) e que têm sofrido constantes ameaças nas redes sociais. As candidatas fazem parte da parcela de mulheres que têm sofrido violência de gênero, misoginia e ataque machistas de grupos extremistas de direita que reforçam o ódio por mulheres na política.
As candidatas Anne Lagartixa (PL), Brisa Bracchi (PT), Juliana Garcia (PT), Isolda Dantas (PT), Natália Bonavides (PT) e Thabatta Pimenta (PV) recorreram às autoridades policiais e judiciais, além de expor os casos de extrema misoginia nas suas redes sociais. Segundo dados de 2026 do Ministério Público Eleitoral (MPE) revelam que o órgão acompanha 419 casos de violência política de gênero, além de haver pelo menos 100 ações penais eleitorais em andamento no país ligadas ao tema.
O SindSaúde repudia qualquer forma de violência contra as mulheres e também por todas as candidatas do RN que sofrem ataques diariamente e por medo do que pode acontecer, infelizmente ficam impossibilitadas de Denunciar. Ademais, além da violência de gênero, no caso da candidata a deputada estadual, Brisa Bracchi (PT) que também sofreu ameaças de homofóbicas e exposição de dados dos seus familiares.
Além disso, nesta semana, a candidata Isolda Dantas (PT) publicou nas suas redes sociais a extrema violência de morte e sexual que tem sofrido através de ameaças pelo e-mail que mencionava seu nome e descreve atos de violência que seriam praticados contra ela.
No caso da candidata a deputada estadual, Anne Lagartixa (PL), também contou ter sido perseguida e ter sua comitiva de campanha seguida de forma intimidadora por outros automóveis na volta de um evento político. Ambas são de ideologias políticas diferentes, mas continuam sendo vítimas expostas desses grupos de homens que compartilham do mesmo pensamento: fazem parte do movimento Red Pill, que disseminam o ódio e a aversão às mulheres para tentar manter privilégios históricos de poder.
O lado político muda, as candidatas seguem ideologias e lados diferentes na política, mas ainda assim são perseguidas pela machosfera que tem crescido no nosso país e contexto político social. Segundo uma pesquisa do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (NetLab UFRJ) as redes monitoradas de discursos misóginos acumulavam cerca de 19 milhões de inscritos. Em 2026, o número de seguidores desses canais focados em depreciar, humilhar e atacar figuras femininas saltou para mais de 23 milhões.
A violência contra a mulher também alcança as profissionais da saúde
As profissionais da área da saúde também fazem parte das estatísticas e dessa violência que tem crescido de forma exacerbada no Brasil e principalmente no estado do Rio Grande do Norte. Uma pesquisa realizada em 2024 pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) apontou que cerca de 67% da força de trabalho global são exercidos pelas mulheres, porém, elas enfrentam riscos estruturais e assédio no ambiente profissional devido a hierarquias organizacionais e sobrecarga em funções vulneráveis.
O Sindicato também recebe denúncias de assédio moral no ambiente de trabalho e se solidariza com todas as servidoras que infelizmente são colocadas nessas situações de extrema violência, que reforçam como a nossa sociedade atual ainda é patriarcal e machista.
A coordenadora do SindSaúde da regional de Assu/RN, Rosilda, utilizou o espaço de uma assembleia na última sexta-feira, 11 de setembro, para alertar as profissionais da saúde mulheres sobre as agressões que têm se intensificado no RN e contra esse gênero, principalmente as técnicas de enfermagem. Sejam eles feitos por pacientes, por coordenadores das unidades e às vezes até por parceiros de trabalhos.
“Precisamos unir forças contra essa violência e não aceitar mais assédio sexual e moral nas nossas vidas, principalmente nos nossos trabalhos como profissionais de saúde”, enfatizou a diretora.
A jornada da mulher é sempre dupla, tripla e continua sendo exaustiva em todos os sentidos. Além de lidar com as cobranças familiares, regras da nossa sociedade, na maioria das vezes elas são colocadas em situações de vulnerabilidade, assédio moral e sexual dentro das unidades de saúde.
O SindSaúde/RN reforça que não compactua com nenhum tipo de violência, seja ela cometida no ambinete político, sáude pública, ou qualquer outro tipo de violência contra as mulheres que possa restringir seus direitos como mulher. Alertamos para que se alguma servidora mulher estiver passando por alguma dessas situações, realize a denúncia por meio do contato 180 ou utilize a plataforma FalaBR para casos no serviço público federal, estadual ou municipal. O sindicato está aberto a escutar e receber denúncias em casos que a vítima quiser expor o acontecimento e encorajar outras mulheres na luta por melhores condições de trabalhos, direitos garantidos por lei e encorajar outras mulheres contra essa violência de gênero.