Iniciamos a vacinação contra a Covid-19 no Brasil com apenas 6 Milhões de doses, número inferior a quantidade necessária para atender aos grupos prioritários como é o caso dos trabalhadores da saúde. O anúncio de que apenas alguns profissionais que atuam na linha de frente (médicos, enfermeiros e técnicos) serão imunizados, pegou todo mundo de surpresa. No entanto, esse grupo não comporta trabalhadores da saúde que garantem, diretamente, o funcionamento dos hospitais e estão tão expostos ao vírus quanto os demais. São eles: terceirizados, maqueiros, copeiros, nutricionistas, assistentes sociais, porteiros, recepcionistas, dentre outros profissionais envolvidos no processo de saúde.
O Sindsaúde/RN repudia, portanto, qualquer tipo de restrição para imunização dos trabalhadores da saúde e exige à Prefeitura e ao governo do Estado, no mínimo, um calendário que preveja quando ocorrerá a imunização de todos esses profissionais, sem exceção. No Rio Grande do Norte, por exemplo, que recebeu 82.440 doses da Coronavac, muitos trabalhadores da saúde foram excluídos da primeira fase da vacinação que começou nesta quarta-feira (19).
Em Natal, o prefeito Álvaro Dias foi cúmplice consciente das políticas nacionais genocidas. Defendeu a abertura geral de serviços não essenciais, promovendo a aglomeração nos transportes públicos e distribuindo e recomendando remédios sem comprovação científica (hidroxicloroquina), além de atacar os já defasados salários dos servidores municipais com a reforma da previdência no município que taxou trabalhadores com renda inferior a um salário mínimo em 14%. O governo do Estado, por sua vez, combinou um discurso de oposição com uma política de submissão aos interesses dos empresários, promovendo também abertura de serviços não essenciais e negando a necessidade de um fechamento, o que nos levou ao número de mais 3 mil mortos já confirmados em nosso Estado, sendo mais de 1 mil somente na capital potiguar.
O boicote à vacinação promovida pelo governo Bolsonaro, veio de muito antes. Em meio a uma pandemia global, os governos do Brasil seguiram um caminho contrário ao que a ciência preconizava em face da possibilidade da falência dos sistemas de saúde. Enquanto parte do mundo indicava o uso de máscaras, isolamento social e até fechamento total, no Brasil os governos, em sua maioria, optaram pelo oposto. A maioria, seguidora de Bolsonaro e de seu discurso “salvar a economia”, é responsável diretamente pela marca de 200 mil mortos, dos quais grande parte eram dependentes exclusivamente do SUS e que não possuíam o privilégio de manter o isolamento social graças à situação sócio econômica.
Além de adotar essa política criminosa de empurrar todos para o adoecimento, Bolsonaro e seu comparsa carrasco Pazuello (Ministério da Saúde) tentam a todo custo sabotar todas as possibilidades de obtenção de vacinas num país como Brasil que possui uma das melhores infra-estruturas para pesquisa, desenvolvimento, produção e aplicação em massa do imunizante. O resultado não poderia ser pior: dias depois do colapso em Manaus pela falta de cilindros de oxigênio, o governo iniciou o PNI (Plano Nacional de Imunização) com pouco mais de 6 milhões de dose, ou seja, uma quantidade insuficiente para atender ao grupo prioritário, e pior dependendo de insumos vindos da china, país alvo de ataques sucessivos do governo Bolsonaro e de seus familiares.
Esse governo que hoje está à frente do Brasil não representa apenas uma ameaça para os trabalhadores, mas também à todo conjunto da população, sobretudo os mais pobres, que dependem dos serviços públicos. Nesse cenário, onde o governo promoveu a morte de milhares, é um tarefa urgente das Centrais Sindicais, partidos, intelectuais e toda a classe trabalhadora exigir a queda do governo Bolsonaro, Mourão e Pazuello, uma vez que esse desgoverno tem mais compromisso com a sabotagem da vacinação do que com a garantia de sua promoção.
MAIS INFORMAÇÕES:
Sobre o PNI: Já sabe como se cadastrar no sistema RN+Vacina?
Acesse > https://rnmaisvacina.lais.ufrn.br/ > Preencha com seus dados pessoais, inserindo informações quanto aos grupos de risco e comorbidades> Pronto, o cadastro foi feito.
O cadastro na plataforma irá auxiliar na criação de um banco de dados com o perfil da população potiguar, permitindo mais equidade, controle social e transparência ao processo de vacinação.