Thalia Varela
Thalia Varela

31/03/2026, 16h


Os trabalhadores da saúde de Parnamirim em paralisação se reuniram em Assembleia nesta terça-feira (31), seguindo a nova estratégia definida pelos servidores municipais da saúde, de realizar todas as atividades de mobilização no último dia de cada mês. Desta vez, a categoria participou da explanação de um levantamento feito pelo ILAESE- Instituto Latino Americano de Estudos Socioeconômicos sobre as perdas salariais acumuladas desde 2019. 

Na ocasião, foi explicado aos servidores que apesar das últimas recomposições salariais concedidas pela Prefeitura de Parnamirim, o quantitativo oferecido pela gestão segue sendo insuficiente, quando comparado a soma das perdas nesses últimos 7 anos. Na nota técnica o ILAESE afirma que, “desde 2019 com a implantação da Lei Complementar nº 149, de 15 de maio de 2019, os servidores da Saúde receberam 6% em 2023 e 7,5% em agosto de 2025, 5,5% em dezembro de 2025, e agora, 5% que será implantado em abril/26, dando acumulado de 26,23%. Entretanto, a inflação medida pelo INPC no período de maio de 2019 a fevereiro de 2026 foi de 43,24%. Logo, permanece uma perda histórica de 13,47% nos salários do quadro da saúde.”, destaca trecho do documento. Com base nesse saldo remanescente, o Sindsaúde/RN apresentou na Assembleia as novas tabelas salariais defendidas pelo sindicato.

Algumas das tabelas apresentadas pelo Sindsaúde/RN, buscam corrigir às distorções criadas pela Prefeita Nilda (Solidariedade) no Plano de Cargos, oriundas da primeira recomposição no valor de 7,5%, para os servidores de nível médio/técnico da saúde. O problema ocasionado pela gestão à época se deu porque: em vez de primeiro igualar o salário de todos os servidores municipais de nível médio/técnico em R$ 1.518,00, e aplicar a recomposição de 7,5% em cima desse valor, a prefeitura ignorou essa situação, e implantou o reajuste apenas para equiparar o salário base desses trabalhadores ao valor do salário mínimo, ou seja, sem ganho real para a categoria que tinham um salário base menor que o salário mínimo atual e que era complementado por VPNI. Conforme os demais reajustes foram sendo concedidos, apenas o nível superior deve conquistar a recomposição no valor prometido pela Prefeitura (18% até abril/26). Já os trabalhadores de nível médio, seguem prejudicados e sem perspectivas da gestão solucionar o problema. 

Agora, os servidores da saúde de Parnamirim aguardam a implantação da recomposição no valor de 5%, que será implantada no contracheque de abril/26. Para acompanhar a efetivação da nova recomposição, os servidores aprovaram a próxima Assembleia com paralisação para o dia 30 de abril. Outro assunto importante que foi abordado nesta Assembleia, trata-se da nova proposta apresentada pela Prefeita Nilda de ampliar o quantitativo de trabalhadores que recebem o recurso federal referente ao Componente de Qualidade. Os valores atualmente são divididos entre os profissionais da atenção básica, quando os mesmos alcançam bons resultados nos indicadores estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Porém, com base na nova proposta da gestão, os mesmos valores recebidos atualmente seriam divididos com todos os trabalhadores das unidades, incluindo contratos temporários, o que prejudicaria diretamente a remuneração dos servidores efetivos. Quanto a isso, ficou encaminhado que os servidores devem acompanhar a votação, quando esse Projeto de Lei for encaminhado à Câmara Municipal. Em relação aos pontos que ainda não tiveram avanços, estes serão cobrados, mais uma vez, na reunião da Mesa SUS de Parnamirim que ficou agendada para o dia 08 de abril.