O início de um novo ano costuma marcar a chegada de novas perspectivas e o fim dos ciclos que fizeram parte do ano anterior. 2021, no entanto, chegou trazendo consigo marcas tristes de 2020, sendo uma delas: o registro de 3 mil mortos pela Covid-19no RN. Infelizmente, as nossas vidas não são uma prioridade para os governos, que preferiram garantir o lucro dos grandes empresários e ricos, em detrimento da vida da população. Além disso, o réveillon do RN virou pauta nacional graças às inúmeras notícias envolvendo a irresponsabilidade de vários potiguares que, mesmo diante dos altos números, não respeitam sua vida nem a do próximo.
Dados da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), mostram que o Rio Grande do Norte chegou, no terceiro dia do ano, às 3 mil mortes por Covid-19, registrando 119.079 casos confirmados da doença desde o início da pandemia. O estado tem ainda 58.606 casos suspeitos de Covid-19 e outros 276.874 descartados. Mesmo diante desse cenário caótico ainda muito perigoso, os protocolos de segurança estão sendo seguidos cada vez menos.
Com o aval das prefeituras para desrespeitar à vida, Pipa, no litoral Sul, e São Miguel do Gostoso, no litoral Norte, foram palco para grandes eventos que reuniram aglomerações gigantescas na virada para 2021, voltando às atenções do país todo para o Estado. Enquanto isso, longe das confraternizações irresponsáveis, os leitos críticos do RN registraram 66,9% de ocupação, sendo da região Oeste o maior índice, com 77,2%. O Seridó vem logo em seguida, com 71,4%. A região metropolitana de Natal tem 59% de ocupação.
Cabe destacar que foi amplamente divulgada a informação de que os dados de dezembro superaram o recorde de casos registrados até do mês de junho, até então considerado o pico da pandemia no Rio Grande do Norte, ainda sim milhares de pessoas confiaram na apresentação de exames com resultado negativo para a Covid-19 como um ‘passaporte da imunidade’ e foram curtir, maioria sem máscara e com um distanciamento inexistente, seu reveillon. O que ao certo estavam comemorando, é difícil de saber.
É perceptível também, considerando os últimos acontecimentos, que a falta de empatia e responsabilidade não são defeitos exclusivos de anônimos, o jogador Neymar, por exemplo, que deveria usar sua enorme influência para incentivar o cumprimento dos protocolos de segurança que previnem o contágio da doença, preferiu organizar uma festa, num condomínio de luxo em Mangaratiba, no Rio.Informações divulgadas próximo ao dia do evento relataram a presença confirmada de pelo menos 500 convidados.
Ainda considerando o cenário de maus exemplos nacionais, o Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) segue com sua política consciente de combate às medidas de segurança estabelecidas no mundo todo. Já no primeiro dia do ano, o presidente andou de barco e promoveu aglomeração de pessoas dentro do mar no município de Praia Grande, em São Paulo. Bolsonaro estava na embarcação quando saltou do barco para cumprimentar apoiadores que estavam no local.
Entendemos que uma parte da população tem que sair para trabalhar na rua porque não dispõe de rendimentos. Isso porque, o governo federal dificulta a garantia do auxílio emergencial, que foi reduzido pela metade. Garantir renda para a população é obrigação não só do governo federal, mas também dos governos estaduais e municipais.
É graças a tais acontecimentos, ainda chocantes porém, infelizmente, comuns desde o início da pandemia que chegamos, 10 meses após ser noticiada a primeira morte pela Covid-19, à triste marca de 3 mil mortos. A primeira vítima registrada no estado era um homem de 61 anos que estava hospitalizado em Mossoró e tinha histórico de diabetes e assim como sua família lamenta a entrada do ano sem sua presença, hoje, outras três mil buscam também formas de lidar com suas perdas e seguir a vida apenas com lembranças. 3 mil vidas ceifadas por um vírus que se fortalece a cada atitude de omissão e descaso dos “representantes do povo”. 3 mil pessoas que eram o amor da vida de alguém.