Infelizmente, o que prevíamos aconteceu: a redução dos leitos vasculares do Hospital Ruy Pereira- que antes eram cerca de 90- aumentou a fila de espera e está prejudicando a população. Nesse contexto, dada a natureza das doenças que acometem seus pacientes,muitos deles precisam ser submetidos a procedimentos cirúrgicos que poderiam ser evitados por causa do agravamento das infecções. Pacientes que poderiam amputar apenas o dedo, acabaram tendo que amputar a maior parte da perna , por exemplo, como já denunciava a fala de Breno Abbott, coordenador do Sindsaúde/RN, em setembro.
Relembre o caso
No início deste ano o Governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual de Saúde (Sesap), informou o fechamento do Hospital Ruy Pereira. Segundo a secretaria, os leitos deveriam ser transferidos para os hospitais da Polícia e o anexo do João Machado (30 em cada unidade), em três etapas de forma gradativa, o que na realidade não aconteceu. Até o presente momento, apenas os 30 leitos do Hospital da Polícia estão recebendo pacientes.
A decisão por si só já é problemática tendo em vista que a unidade conta com um centro cirúrgico com três salas; o ambulatório especializado atende 20 pessoas em média por dia; admite a internação de cerca de 100 a 120 pacientes por mês; e em maio registrou 209 procedimentos cirúrgicos realizados.
Além disso, o Hospital é referência na realização de cirurgias vasculares e no tratamento de pessoas com doenças como "pé diabético" no Rio Grande do Norte. Até outubro de 2019, a unidade foi responsável por realizar 1.737 cirurgias, das quais 400 consistiam em grandes amputações.Sendo assim, o Sindsaúde/ RN já havia denunciado que, mesmo com estrutura precária e insuficiente para atender a demanda dos 280 mil pacientes diabéticos que dependem da rede pública de saúde, o fechamento da unidade irá deixar a população potiguar ainda mais desassistida.
Estima-se que o Governo do Estado paga R$ 200 mil mensais de aluguel pelo uso do imóvel. Sendo assim, não preocupado em dar uma melhor assistência à população, o governo Fátima Bezerra (PT) visa economizar às custas do sofrimento dos servidores e pacientes. O Sindsaúde/ RN repudia toda e qualquer forma de ataque e desmonte da saúde pública e reitera que um serviço de qualidade é um direito da população! Não ao sucateamento do SUS. Nenhum hospital a menos!