O décimo mês do ano, desde meados dos anos 90, tornou-se sinônimo da campanha do Outubro Rosa. Tal iniciativa, foi criada e, se mantém ativa até hoje,com o objetivo de voltar as atenções da sociedade para a saúde das mulheres, sobretudo com relação à descoberta precoce do câncer de mama.
A doença é a segunda de maior incidência sobre as mulheres no Brasil- ficando atrás apenas para o câncer de pele- e pode ser diagnosticada pela própria mulher através do autoexame. A descoberta precoce facilita e traz maior chance de sucesso no tratamento.
Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, o Colégio Brasileiro de Radiologia e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, no Brasil, as sociedades médicas recomendam o rastreamento mamográfico anual para as mulheres entre 40 a 75 anos. O Sistema Único de Saúde não só proporciona o tratamento, como também promove campanhas de sensibilização acerca do tema.
No entanto, o recorrente subfinanciamento de recursos destinados ao Sistema Único de Saúde e a política de cortes do governo Jair Bolsonaro, representam uma forte ameaça não só a campanha do Outubro Rosa, como também a vida de todas as mulheres.
Além disso, outras medidas adotadas pelo atual governo como a Emenda Constitucional 95, mais conhecida como “Teto de Gastos” que prevê o congelamento de investimento públicos por 20 anos, colaboram para a queda da participação federal na saúde, bem como, desresponsabiliza o poder público da criação e desenvolvimento de políticas públicas que melhor assistam a população.
Adriana Stella- integrante da CSP-Conlutas e dirigente da Fasubra- destaca também que o governo promove várias isenções e renúncias fiscais, ou seja, costuma abrir mão de receber impostos de grandes empresários. Em 2020, a expectativa é que o governo deixe de arrecadar cerca R$ 330 bilhões.
“Não é possível termos uma política efetiva de prevenção às doenças, de tratamento às enfermidades, de cuidados a quem necessita sem profissionais especializados e uma rede sólida. Para que o outubro seja realmente rosa, precisamos de mais investimentos públicos, mais verbas para saúde, pesquisa, ciência e tecnologia.” conclui Adriana.
Vale destacar que, em números absolutos, o Ministério da Saúde teve um congelamento de R$ 599 milhões e que o SUS enfrenta esse processo de subfinanciamento desde a sua criação, ou seja, com a retirada de recursos ficando maior a cada ano, muito em breve pode se tornar inviável manter um sistema único de saúde como o nosso.
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