Em janeiro, o Brasil acompanhou o desespero da população de Manaus, com a falta de oxigênio nas unidades de saúde colapsadas pelo aumento das internações por covid-19. A morte por asfixia nos hospitais do Amazonas demonstrou uma tragédia anunciada deliberada conscientemente pelo governo de Wilson Miranda (PV) e o governo Bolsonaro, que foi avisado pelas autoridades semanas antes do caos se instalar.
Dois meses se passaram e a pandemia só se agravou. A falta de oxigênio, agora, é realidade em outros estados e motivo de preocupação de autoridades em todo o Brasil. Nos encontramos no pior momento, com recordes de média móvel de casos de mortes pelo novo coronavírus. Nesta quarta-feira (23), o país superou as 3 mil mortes em 24h. O mês de março nem chegou ao fim, mas o Brasil já se aproxima das 300 mil mortes e mais de 12 milhões de casos notificados. Diante dessa situação, nos deparamos com o negacionismo de Bolsonaro e medidas insuficientes do governo Fátima Bezerra (PT) e de Álvaro Dias (PSDB) e demais prefeitos.
Segundo relatório divulgado nesta terça (22) pelo Ministério da Saúde, seis estados estão em situação crítica para falta de oxigênio hospitalar: Acre, Rondônia, Mato Grosso, Amapá, Ceará e Rio Grande do Norte. Ainda segundo o ministério, outros sete estão em estágio de atenção: Pará, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
No último sábado (20), acompanhamos o drama de familiares de pacientes internados no Hospital Municipal Dr. Percilio Alves, em Ceará-Mirim, na Grande Natal, que tiveram que ser transferidos para outras unidades de saúde por falta de oxigênio. Mas, essa situação pode se repetir em mais de 60 municípios do Rio Grande do Norte. Segundo o Conselho Estadual de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems), devido ao aumento de internações, o consumo do gás aumentou, ocasionando oxigênio insuficiente para tratamento de pacientes internados com a Covid-19.
Na madrugada desta terça-feira (23), um paciente com suspeita de covid-19 que aguardava o resultado do exame precisou receber oxigênio, mas a UPA estava superlotada. O paciente, então, recebeu o oxigênio do lado de fora da UPA em um ponto de o2 montado para atender a grande demanda. Cenas lastimáveis como essas poderão ser bastante comuns em nosso cotidiano, caso os governos insistam em aplicar políticas insuficientes e brandas para o enfrentamento da pandemia. Muitos poderão morrer sem oxigênio e sem acesso a UTIs e hospitais.
Para nós do Sindsaúde/RN, o colapso na saúde e a falta de oxigênio nas unidades são o reflexo da falta de prioridade e investimento na saúde pública promovida pelos consecutivos governos, na qual, os governos atuais dão continuidade ao desmonte e sucateamento do SUS. Se afirmamos que a política consciente de Bolsonaro é genocida, os governos estaduais e municipais são cúmplices, pois não tomam medidas de fato que protejam a vida da população. O governo Fátima, Álvaro Dias e demais prefeitos precisam aplicar medidas urgentes para salvar a vida da população potiguar, ou isso aqui irá virar um verdadeiro cenário de guerra tão temido pelos trabalhadores e trabalhadoras da saúde.
É preciso defender um lockdown de verdade com o auxílio emergencial urgente. Vacina para toda a população. O lucro não pode estar acima da vida. Em defesa do SUS e contra as privatizações. Fora Bolsonaro e Mourão!