Na última semana acompanhamos a luta do movimento indígena brasileiro que em uma grande demonstração de combatividade e resistência conseguiu barrar o Decreto 12.600. Na segunda-feira (23), após 33 dias de ocupação no Terminal Portuário da Cargill, em Santarém (PA), o governo Lula foi obrigado a recuar e revogou o Decreto, que convertia os rios Tapajós, Madeira e Tocantins em hidrovias do agronegócio e os colocava nas mãos do setor privado.
Talvez você deve está se perguntando “o que o Sindsaúde/RN tem a ver com essa luta?”, mas a verdade é que tem tudo a ver. Afinal, o que esperar de um povo que há mais de 500 anos luta contra seu extermínio e insiste em resistir? A revogação do decreto que pretendia privatizar as hidrovias amazônicas representa uma vitória significativa dos povos indígenas e dos movimentos sociais. Ela demonstra que a mobilização coletiva pode frear projetos que ameaçam territórios, rios e modos de vida. Essa vitória serve de exemplo para todas as lutas dos povos oprimidos e da classe trabalhadora.
Diante do colapso ambiental em curso, torna-se cada vez mais evidente que não é possível continuar apostando em um modelo agrícola baseado na destruição de florestas, na exportação de commodities e na apropriação de territórios tradicionais. A defesa da Amazônia e do clima exige não apenas resistir a projetos específicos, mas questionar o próprio modelo do agronegócio, a forma da agricultura capitalista no campo brasileiro.
Aprender com a luta dos povos originários é compreender que nenhum direito é conquistado sem organização e enfrentamento. A vitória contra o Decreto 12.600 reafirma que somente a mobilização coletiva pode garantir avanços concretos. Que esse exemplo fortaleça todas as categorias em luta, inclusive a da saúde, mostrando que quando o povo se levanta de forma coletiva, é possível arrancar conquistas e defender direitos.