Fernanda Soares
Fernanda Soares

02/02/2021, 10h


O início do mês de fevereiro trouxe consigo mais uma notícia revoltante do descaso do governo do Estado para com a população. A partir do dia 1°, o Hospital Regional de Ceará- Mirim deixou de ofertar serviços de obstetrícia, deixando assim mais de 250 mil pessoas de 22 municípios desassistidos.
 
A unidade já estava sofrendo com a falta de pagamento de alguns municípios, que juntos custeavam 60% do valor para receber os serviços de obstetrícia, o governo do estado por sua vez custeava 40%. O que podemos observar é que a estratégia dos governos segue sendo a mesma: primeiro há um desmonte feito a partir da falta de investimento nos serviços, consequentemente há uma piora na qualidade do serviço que posteriormente torna-se justificativa para o fechamento de serviços essenciais. 
 
A decisão do fechamento do serviço veio após uma reunião que discutiu uma atualização, proposta pela gestão do Hospital de Ceará Mirim, dos valores de custeio para poder continuar prestando esses serviços. Ainda que os representantes de todos os municípios tenham concordado com o que foi exposto, o secretário da saúde, por sua vez, alegou não ter condições de pagar um centavo a mais e determinou, por fim, a transferência imediata das equipes médicas (2 médicos obstetras, 1 médico pediatra, 1 médico anestesiologista, além da equipe de enfermeiros e técnicos) para o Hospital Regional de Macaíba.
 
A situação está longe de ser um fato isolado. Seguindo esta mesma lógica, já foram fechados o hospital de Canguaretama -referência para a região agreste-, o Hospital Regional de João Câmara e o único Hospital para pré-diabéticos do estado (Hospital Ruy Pereira). A Governadora Fátima Bezerra (PT) e o seu secretário de saúde, o médico Cipriano Maia demonstram mais uma vez a falta de compromisso e omissão diante das necessidades da população que precisam destes serviços, muitas vezes com urgência.
 
Quem cuida da população, dos servidores e todos aqueles que precisam conviver com a  falta de um serviço, que mesmo precarizado há muito tempo, é de extrema importância e beneficiava muitas pessoas? O Sindsaúde/RN é contra o fechamento de serviços e hospitais, e repudia o sucateamento e o cancelamento da prestação de serviços essenciais para a população, sobretudo a mais pobre. Nenhum hospital e serviço a menos!