Neste 31 de março, completam-se 62 anos do golpe civil-militar de 1964, que derrubou o presidente João Goulart e instaurou no Brasil uma ditadura que duraria até 1985. Foram mais de duas décadas de repressão, censura, perseguição política, torturas, assassinatos e desaparecimentos que marcaram profundamente a história do país.
O golpe foi articulado por setores das Forças Armadas em aliança com grandes empresários, setores conservadores da sociedade e com apoio do governo dos Estados Unidos. Sob o discurso de combate ao comunismo, instalou-se um regime autoritário que tinha como objetivo conter a organização popular e garantir os interesses do grande capital.
A ditadura também foi marcada por uma forte ofensiva contra a organização da classe trabalhadora. Segundo a Comissão Nacional da Verdade, ao menos 434 pessoas foram mortas ou desapareceram por motivos políticos durante o regime, enquanto milhares de brasileiros foram presos, torturados ou obrigados ao exílio. A violência do Estado atingiu também camponeses, povos indígenas, estudantes e moradores das periferias.
Mesmo diante da repressão, a resistência popular não cessou. O movimento estudantil, os movimentos sociais e a reorganização do movimento sindical foram fundamentais para enfrentar a ditadura. A anistia conquistada em 1979 representou uma vitória da mobilização popular ao garantir a libertação de presos políticos e o retorno de exilados. No entanto, a lei também garantiu impunidade aos agentes da repressão, que até hoje não foram responsabilizados pelos crimes cometidos durante a ditadura.
Passados 62 anos do golpe, lembrar esse período é fundamental para que crimes como esses nunca mais se repitam. Em Natal (RN), movimentos sociais, entidades sindicais e organizações populares realizarão um ato em defesa da memória e da democracia no dia 1º de abril, às 16h, no Palácio dos Esportes Djalma Maranhão.Em um momento em que setores da extrema direita ainda defendem a ditadura e seus métodos, reafirmar a memória histórica é também defender a democracia e os direitos da classe trabalhadora.