Precisamos falar sobre saúde mental. Não só nesta data, mas em todos os dias. A saúde mental deve estar presente em todas as discussões que envolvem a saúde pública. Isso porque, a saúde mental é uma das áreas mais negligenciadas pelos governos de plantão. Historicamente, as políticas públicas para a saúde mental sempre foram mínimas. Dia após dia, o que observamos é a precarização desenfreada do Sistema Único de Saúde (SUS), o adoecimento dos trabalhadores, a falta de investimentos e o corte de verbas na rede pública que deveria ajudar no acolhimento e no tratamento das pessoas com ideações suicidas e com a saúde mental abalada. Faltam profissionais, psicólogos e psiquiatras, para atender e acompanhar a população.
Aqui no Rio Grande do Norte temos o Hospital João Machado, referência em tratamento psiquiatrico. No entanto, a unidade encontra-se abandonada e sem estrutura necessária. Faltam equipamentos necessários para realizar alguns procedimentos e existe muito mofo em algumas enfermarias e no repouso dos servidores. Já na rede municipal de Natal, apenas três CAPs oferecem atendimento semelhante ao do pronto socorro, mas mesmo assim não possuem estrutura suficiente para comportar o número de atendimentos necessários.
Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) mostram que 5,8% dos brasileiros (cerca de 12 milhões de pessoas) sofrem de depressão. É a maior taxa da América Latina e a segunda maior das Américas, atrás apenas dos Estados Unidos.
Estima-se que entre 20% e 25% da população teve, tem ou terá depressão, sendo essa a doença psiquiátrica com maior prevalência no Brasil. Em seguida, aparece a ansiedade, que afeta 9,3% dos brasileiros (cerca de 19,4 milhões), e faz com que o Brasil ocupe o primeiro lugar da lista de países mais ansiosos do mundo. Os transtornos ansiosos incluem fobia, transtorno obsessivo-compulsivo, estresse pós-traumático e ataque de pânico.
O suicídio é a terceira principal causa externa de mortes no Brasil (atrás de acidentes e agressões), com 12,5 mil casos em 2017, segundo o Ministério da Saúde. Em relação ao ano anterior, o aumento foi de 16,8%.
Por isso, nós do Sindsaúde/RN cobramos dos governos não só adesão as campanhas de prevenção à saúde mental, mas, políticas públicas concretas e postas em prática que conscientizem, acompanhem e cuidem da população com o objetivo de prevenir adoecimentos e mortes.