Fernanda Soares
Fernanda Soares

23/10/2020, 12h


Os números divulgados- na última quarta-feira (21)- pelo boletim das 20h do consórcio de veículos de imprensa, revelaram a marca de 155.403 vidas perdidas para a Covid-19 no Brasil. Destas, 372 mortes ocorreram nos últimos três dias. Contabilizam-se ainda 24.818 novos casos de coronavírus, totalizando 5.298.772 infectados no país.

 Ainda que nos últimos tempos tenha-se notado uma certa estabilidade no controle e avanço da doença, a flexibilização promovida pelos decretos estaduais, bem como a omissão do poder público no desenvolvimento de formas mais concisas de enfrentamento à doença, colaboram para que a média móvel de mortes torne a subir. 

 O surgimento de uma vacina também parece ser um avanço distante, uma vez que, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o imunizante contra o novo coronavírus "não será comprado" pelo governo brasileiro. A decisão, como de costume, foi publicada em uma rede social e logo após o Ministério da Saúde anunciar que tinha a intenção de adquirir 46 milhões de doses da Coronavac. A vacina candidata contra Covid-19, apelidada de forma xenofóbica de ‘A vacina chinesa’,  apesar de pertencer ao laboratório chinês Sinovac Biotech, é testada no Brasil pelo Instituto Butantan. 

 Em seu comunicado, disse: 

 "A vacina chinesa de João Dória: para o meu Governo, qualquer vacina, antes de ser disponibilizada à população, deverá ser COMPROVADA CIENTIFICAMENTE PELO MINISTÉRIO DA SAÚDE e CERTIFICADA PELA ANVISA. O povo brasileiro NÃO SERÁ COBAIA DE NINGUÉM.Não se justifica um bilionário aporte financeiro num medicamento que sequer ultrapassou sua fase de testagem. Diante do exposto, minha decisão é a de não adquirir a referida vacina".

 A decisão do presidente soa contraditória, visto que o mesmo promoveu uma intensa campanha a favor do uso de Hidroxicloroquina no tratamento e prevenção da Covid-19. A eficácia do medicamento não teve nenhum tipo de comprovação científica e, pelo contrário, não era e nunca foi indicada por cientistas e profissionais da saúde que atuavam diretamente no combate da doença. 

 Em resposta ao recuo do governo em adquirir doses da vacina, o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) publicou uma nota defendendo que "nenhuma convicção pessoal pode sobrepor-se à ciência". O órgão defendeu ainda que "a cooperação interfederativa é o melhor caminho para superar esta grave crise sanitária." 

 Vale destacar que, segundo interlocutores, o ministro Eduardo Pazuello afirmou que "o problema é o Doria", desafeto político do presidente e que está à frente das negociações sobre a vacina pelo governo de São Paulo. A decisão da equipe de saúde de Bolsonaro pegou de surpresa até representantes dos governos estaduais que participaram da reunião com o Ministério da Saúde. 

 A falta de cooperação interfederativa citada pela Conass tem efeito destrutivo no enfrentamento da Covid-19 desde o seu surgimento. A retomada gradual das atividades econômicas iniciada em julho e realizada em três fases, no Rio Grande do Norte, traz à tona o perigo emergente de uma segunda onda de contágio pela doença. Todo fim de semana são feitos registros de bares, baladas, praias e shoppings, todos lotados.  

 Nesse sentido, nas últimas duas semanas, as atenções voltaram-se novamente ao Rio Grande do Norte, uma vez que o estado teve o maior aumento na média móvel de mortes por Covid-19 em todo país. De acordo com os dados repassados pela secretaria estadual, o RN apresentou uma variação de 440% nos últimos 14 dias. Uma triste constatação que reflete a necessidade de medidas mais eficazes por parte do governo Fátima (PT) e do prefeito Álvaro Dias (PSDB), que, de forma irresponsável, passam para a população a sensação de normalidade e de um “novo normal”.

 O momento político atual- de eleições- também tem representado uma forte ameaça às medidas de segurança e isolamento social. Passeatas e comícios lotados, promovidos e motivados pela irresponsabilidade social e política de alguns candidatos, passaram a fazer parte do cotidiano das pessoas. Além disso, cabe ressaltar que a falta de investimentos na área da saúde também dificultam os atendimentos e colocam em risco a vida dos pacientes contaminados e dos profissionais que atuam nestes casos.