Fernanda Soares
Fernanda Soares

18/12/2020, 13h


O fim de um ano sempre traz consigo um conjunto de simbologias referentes à prosperidade e renovação. No entanto, há dois anos, essa época representa um momento ainda mais difícil para os servidores da saúde do Rio Grande do Norte.
 
Os trabalhadores, referenciados o ano inteiro como “heróis” por estarem na linha de frente no combate à pandemia, hoje estão à míngua, sem perspectivas de um fim de ano proveitoso para si e suas famílias. Até esta data, apesar de terem trabalhado e enfrentado o risco de morte e contaminação o ano todo, vários servidores vão passar o Natal sem o salário de dezembro e boa parte, sequer, vão receber os 60% restantes do 13°salário de 2020 este ano. Endividados, com as contas atrasadas e sem dinheiro sequer para o transporte, os servidores públicos estão chegando ao limite.
 
O Fórum dos Servidores se reuniu com a governadora Fátima Bezerra (PT), no último dia 11, para reivindicar a apresentação do calendário de pagamento dos salários atrasados de 2018. A solicitação, mais uma vez, não foi atendida gerando assim indignação por parte da categoria e do Sindsaúde/RN que a representa. A reunião foi encerrada com a promessa de que a governadora se reunirá novamente com o Fórum, entre os dias 5 e 15 de janeiro para apresentar um calendário de pagamento.
 
Mas e até lá? 
 
Como será o fim de ano destas inúmeras famílias que contavam com esse dinheiro para realizar sua ceia, pagar suas contas atrasadas, comprar presentes para seus filhos ou até mesmo investir em projetos pessoais para o ano que vai se iniciar? É mais do que injusto uma pessoa trabalhar tanto em um ano tão difícil e insalubre como este, para no fim lidar com todas essas incertezas. 
 
Além disso, é preciso levar em consideração que o contexto da pandemia impede que grandes grupos se unam para dividir uma ceia, por exemplo. Sendo assim, como será o Natal e o ano novo destas pessoas que - cansadas, isoladas e injustiçadas- não podem contar com o próprio governo do seu Estado, por segurança, também não poderá contar com ajuda de amigos e familiares? 
 
 
Nessa época do ano fala-se muito sobre gratidão e empatia. Deixamos aqui, portanto, nossa pergunta ao governo Fátima: Onde está sua empatia conosco? A que devemos ser gratos neste ano? Exigimos a garantia dos nossos direitos básicos, que é trabalhar e receber nossos salários no final do mês. Que 2021 seja mais justo para os servidores da saúde, com o respeito e compromisso que a categoria merece.