Francisca Pires
Francisca Pires

23/01/2026, 11h


Elizabeth Ferreira do Nascimento foi morta a facadas no último sábado (17), em Mãe Luíza, zona Leste de Natal. Antes do crime, vizinhos ouviram uma discussão. Elizabeth sofreu ao menos sete golpes, inclusive no peito e no rosto. Não resistiu. Deixa uma filha de 11 anos, hoje em estado de choque.

Segundo a família, Elizabeth havia se separado do companheiro por conta do comportamento agressivo, mas decidiu reatar acreditando que ele mudaria. As ameaças eram frequentes. No dia do crime, ela chegou a relatar que havia sido enforcada. Minutos depois, estava morta.

O caso de Elizabeth não é isolado. É parte de uma tragédia anunciada.

No Rio Grande do Norte, 21 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025 — mais do que em 2024. As tentativas também cresceram: foram 76 no último ano.

No Brasil, 1.470 mulheres foram assassinadas por serem mulheres em 2025. Uma média de quatro mortes por dia. Em dez anos, mais de 13,4 mil mulheres perderam a vida para a violência machista.

Apesar do endurecimento das leis, os números seguem batendo recordes. Isso escancara uma realidade cruel: sem investimento em prevenção, proteção, acolhimento e políticas públicas efetivas, a violência continua matando. Feminicídio não é uma tragédia isolada. É um projeto de negligência.

É urgente gritar: basta. Nenhuma a menos.