Um novo levantamento divulgado nesta quarta-feira (12) pelo Observatório Brasileiro das Desigualdades jogou luz sobre a dura realidade vivida diariamente pela classe trabalhadora brasileira. Segundo o estudo, o rendimento médio da parcela de 1% mais rica da população ultrapassa em 31,5 vezes o valor recebido por 50% de toda a população mais pobre do país.
O relatório aponta que, embora o governo destaque pequenos avanços estatísticos, como a sutil oscilação na taxa formal de desemprego, a disparidade social entre a elite burguesa e a maioria explorada no Brasil se aprofundou.
Precarização e da informalidade
A propaganda oficial comemora índices pontuais sobre o mercado de trabalho. No entanto, a realidade vivida pela classe trabalhadora, nas ruas, nos aplicativos e no comércio informal conta uma história diferente.
O que propagandeado como "recuperação do emprego" é, na verdade, a expansão do trabalho informal, sem direitos trabalhistas, sob jornadas exaustivas e remunerações que mal cobrem o custo da cesta básica. A renda da classe trabalhadora segue espremida pela inflação dos alimentos, do aluguel e das tarifas públicas.
Enquanto a maioria das famílias trabalhadoras divide centavos para fechar as contas do mês, a parcela ultrarrica do país, formada por banqueiros, agronegócio e grandes acionistas, abocanha uma fatia cada vez maior de toda a riqueza produzida pelo esforço coletivo dos trabalhadores e a especulação financeira.
Capitalismo: a raiz da desigualdade
A gritante concentração de renda não é fruto do acaso ou de meras "falhas de mercado". É consequência direta da lógica de dominação do sistema capitalista e da manutenção de políticas econômicas neoliberais que garantem o pagamento da fraudulenta Dívida Pública e concedem isenções bilionárias aos grandes tubarões da economia, enquanto estrangulam o orçamento da saúde, educação e habitação com o arcabouço fiscal.
Além disso, a estrutura tributária do país segue extremamente injusta: os impostos recaem pesadamente sobre o consumo do povo pobre, enquanto lucros, dividendos e as grandes fortunas continuam praticamente isentos, seja por benefícios ou por sonegação.
Organizar a luta independente dos trabalhadores
Para a CSP-Conlutas, a redução real da desigualdade e a conquista de vida digna não virão através de conciliação com os patrões e governos, mas sim pela mobilização independente da nossa classe nas ruas e nos locais de trabalho.
Por isso são tão atuais as bandeiras como a taxação das grandes fortunas, o fim da escala 6x1, a revogação das reformas neoliberais como da Previdência e trabalhista, e a suspensão e auditoria do pagamento da Dívida Pública.