Um relatório feito por pesquisadores do Laboratório de Inovação Tecnológico em Saúde (Lais) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) mostrou que em duas semanas a demanda por leitos destinados ao tratamento da Covid-19 aumentou 48% em Natal. Nesse contexto, entre os dias 12 e 28 de fevereiro, 39 pacientes morreram antes mesmo de conseguirem acesso a um leito.
Cabe destacar que esse aumento nas solicitações por internações em leitos covid-19 vem sendo observada a partir do período do carnaval e que esses números recentes refletem casos em que o pedido de regulação para um leito foi suspenso pelo falecimento do paciente. Além dos óbitos, o estado teve 43 pedidos de regulação para leitos suspensos por falta de transporte e a região metropolitana foi responsável por 28 cancelamentos desse tipo.
O relatório- que monitorou por métodos computacionais mais de 140 indicadores sobre o novo coronavírus no estado- também traz informações quanto à taxa de transmissibilidade dos municípios e considera as consequências das aglomerações no período de campanha eleitoral, Ano Novo e carnaval. O resultado podemos sentir agora.
Atual situação
A situação caótica do estado resume-se em 92,7% de ocupação dos leitos críticos para Covid-19, sendo, pelo menos, 12 hospitais com leitos da rede pública com todas as UTIs ocupadas e outros cinco com taxa acima de 90%, a rede privada também opera com praticamente o total de leitos na região metropolitana. O estado precisou, portanto, determinar toque de recolher das 22h às 5h, além de suspender aulas presenciais, cultos, missas entre outras atividades. Além disso, a capital determinou o fechamento da orla marítima nos finais de semana e feriados.
Medidas de enfrentamento ineficazes
Ainda que a governadora Fátima Bezerra (PT) em seu discurso transfira grande parte da culpa da atual situação para população, é notório que as medidas do novo decreto estadual parecem pequenas diante da magnitude que a situação do estado se encontra. O horário escolhido para o fechamento total das atividades não contempla maior parte dos serviços não essenciais e as frotas de ônibus continuam a operar longe de sua capacidade total. Com praticamente todas as atividades econômicas autorizadas a funcionar de forma plena durante o dia e a superlotação do transporte público, conter a transmissão do vírus é um desafio cada vez mais difícil de ser comprido.
De outra parte, medidas como a flexibilização das atividades não essenciais, ponto facultativo no carnaval e, segundo o próprio relatório, o incentivo ao uso de remédios sem comprovação, promovido pelo prefeito Álvaro Dias, podem ter causado falsa sensação de proteção à população, com consequente relaxamento das medidas de proteção. Os pesquisadores reiteram ainda que tais medicamentos só podem ser receitados por médicos e que, ainda assim, poderão ser responsabilizados futuramente caso não haja comprovação da eficácia.
O presidente da república Jair Bolsonaro (sem partido), por sua vez, recentemente criticou o uso de máscaras em uma transmissão ao vivo, alegando ter tido acesso a um estudo alemão que comprova que o uso é perigoso em crianças. A fala irresponsável e genocida do presidente vai contra a recomendação de todos os especialistas no assunto, que sempre colocaram a máscara como uma das medidas preventivas mais eficazes na contenção da transmissibilidade do vírus.
Tal sucessão de erros por parte dos governantes no enfrentamento à pandemia já resulta no número absurdo de 255 720 óbitos. O Brasil segue a 40 dias com média de mortes acima de mil e vários estados encontram-se à beira do colapso total. O Sindsaúde/RN repudia a falta de seriedade e de medidas combativas eficazes de combate ao coronavírus e defende para o Rio Grande do Norte lockdown total o mais rápido possível por, no mínimo, duas semanas.
É imprescindível, também, a volta dos 100% das frotas do transporte público, bem como o pagamento do auxílio emergencial para garantir o mínimo de condições de sobrevivência para as famílias durante este período. Não podemos mais aceitar esse descaso com nossas vidas. A população pede socorro, os profissionais da saúde pedem socorro e as famílias que hoje choram suas perdas pedem justiça e mais respeito. Não nos calaremos!