Flores, chocolates, pelúcias, declarações admiradas. Muitas são as formas que o capitalismo encontrou, ao longo dos anos, para homenagear as mulheres todo dia 8 de março. No entanto, o assustador índice de feminicídio e os desafios encontrados por nós todo dia para existir e resistir em uma sociedade tomada pelo patriarcado, comprovam que a data tem uma raiz mais histórica do que comercial e simboliza mais luta do que comemoração.
Origem
A data- que teve sua origem na luta por condições mais igualitárias de trabalho de mulheres que trabalhavam em fábricas nos Estados Unidos e em alguns países da Europa- foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975. Hoje, representa um dia para reivindicar igualdade de gênero, com protestos ao redor do mundo.
Fazendo jus a origem da data, as mulheres trabalhadoras seguem até hoje na linha de frente no combate ao patriarcado genocida. Assédio sexual e moral no ambiente de trabalho, diferença salarial exorbitante e atos de violência simbólica fazem parte do dia a dia das mulheres que trabalham no nosso país. As servidoras da saúde, por exemplo, tão exaltadas durante a pandemia da covid-19 como heroínas, sofrem com a exaustão do combate diário ao vírus somado ao descaso do poder público com a saúde pública. Os inimigos são vários e essa guerra, infelizmente, parece estar longe de acabar.
É preciso lutar ainda mais
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostraram que os casos de feminicídio no Brasil cresceram 1,9% no primeiro semestre de 2020. A pandemia do coronavírus evidenciou os casos de violência doméstica e contribuiu significativamente para o aumento de casos de feminicídios, uma vez que as vítimas passaram a ficar 24 horas por dia confinadas com seus agressores.
Um monitoramento intitulado 'Um Vírus e Duas Guerras', feito através de uma parceria entre sete veículos de jornalismo independente, que visa monitorar a evolução da violência contra a mulher durante a pandemia, mostrou que, durante a pandemia, uma mulher é morta a cada nove horas no Brasil. Sendo assim, desde que a pandemia de coronavírus começou, 497 mulheres perderam suas vidas.
O machismo mata e quando legitimado ganha ainda mais força
É importante destacar que a violência de gênero cresce quando legitimada em discursos, sobretudo se esses discursos partirem de pessoas com grande poder de influência. O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (sem partido), antes mesmo de ser eleito, já era conhecido por suas falas violentas. Uma das mais conhecidas, dizia: “Ela não merece (ser estuprada) porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria. Eu não sou estuprador, mas, se fosse, não iria estuprar porque não merece.”
O 13ª Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em setembro de 2019, mostrou que o Brasil registrou recorde da violência sexual. Foram 66 mil vítimas de estupro no Brasil em 2018, maior índice desde que o estudo começou a ser feito em 2007. A maioria das vítimas eram meninas de até 13 anos.
Esse é apenas um exemplo do descaso e da violência legitimada, prova como atua a política consciente é genocida de Bolsonaro. Enquanto poderiam estar sendo pensadas políticas públicas de proteção para as mulheres, ampliação das delegacias de atendimento à violência doméstica, campanhas informativas sobre sexualidade e opressão de gênero, mais oferta de trabalhos para mulheres, leis que exigem o pagamento igualitário para homens e mulheres. O governo federal segue sendo omisso e nos mata simbolicamente todos os dias.
"Vende argumentos falho, mulher mal remunerada. Homofobico, racista, isso sim é fraquejada"
trecho da música 'primavera fascista'
Sindsaúde/RN na luta contra o machismo
O Sindsaúde/RN sempre esteve engajado na luta contra o patriarcado e defesa da vida, não só das trabalhadoras da saúde, como de todas as mulheres. Reiteramos que todas as ações planejadas por nós, tanto no Dia Internacional da Mulher quanto durante o ano inteiro, tem o objetivo de legitimar e visibilizar a luta de todas aquelas que resistem pelo nosso direito de existir todos os dias. É necessário compreender que a luta das mulheres deve ser abraçada por todas e todos e que o machismo deve ser combatido diariamente.
Seja trancada em casa com seu agressor, assediada no trabalho, no transporte público, nos templos religiosos, na rua, nós seguimos desamparadas e violentadas todos os dias. O presidente da República, em conjunto com a sua corja, seguem no discurso violento e genocida como se nossa dor não valesse nada.
Hoje, Dia Internacional da Mulher, não queremos flores. Queremos a legitimação da nossa luta, queremos o reconhecimento de que nossas vidas importam, queremos andar nas ruas sem medo. Queremos existir, apenas, sendo livres e responsáveis pelas nossas escolhas. Assim como os homens são desde sempre.
Pela queda do patriarcado! Pelo nosso direito de viver! Fora Bolsonaro machista!