Fernanda Soares
Fernanda Soares

09/12/2020, 09h


Esta terça-feira, 8 de dezembro, amanheceu com a realização de vários atos simbólicos presenciais e virtuais nas redes sociais que lembram os 1.000 dias da execução, no Rio de Janeiro, da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista Anderson Gomes.

 

Assassinados barbaramente com vários tiros em uma emboscada, há 1.000 dias o crime segue impune, sem que as autoridades tenham conseguido responder as perguntas: quem mandou matar e por qual motivo a vereadora.

 

O PM reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz estão presos acusados de terem sido os executores, e podem ir a júri em 2021, mas as investigações, que seguem sob sigilo da Justiça, seguem marcadas por polêmicas.

 

As motivações políticas por trás do crime são inquestionáveis desde o primeiro momento e o envolvimento do crime organizado no Rio de Janeiro também é evidente, como aborda recente livro-reportagem lançado pelos jornalistas de O Globo Chico Otávio e Vera Araújo.

 

Com o título “Mataram Marielle” e o subtítulo “Como o Assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes Escancarou o Submundo do Crime Carioca”, o livro traz os bastidores da investigação policial descrita como quase amadora, o que ocasionou uma série de erros primários e desperdício de provas, segundo crítica da Folha de S.Paulo.

 

Sobre os 1.000 dias sem respostas, o PSOL declarou em nota que essa marca “são a prova de que o Estado brasileiro não respeita a vida de uma mulher socialista e negra eleita” e que segue exigindo respostas.

 

Para o dirigente da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas e integrante do Quilombo Raça e Classe no Rio de Janeiro Júlio Condaque este crime não pode ser esquecido, porque revela muito sobre o Brasil.

 

“Os 1.000 dias do assassinato de Marielle e Anderson se completam após a morte de duas crianças em Duque de Caxias, Rebecca e Emily, no último final de semana, com tiros de fuzil enquanto brincavam na porta de suas casas. São fatos distintos, mas fruto de um mesmo cenário que vivemos no Brasil, em que a vida da população negra não é garantida pelo Estado. Ao contrário, assistimos a criminalização dos lutadores sociais e o genocídio de negros e negras”, afirmou.

 

Maristela Farias, também integrante do QRC-RJ, destaca que o problema por trás da situação da execução de Marielle, mas também da população negra em geral e da criminalização dos lutadores sociais, tem a ver com um recorte de raça, gênero e classe. “Precisamos lutar para acabar com essa sociedade capitalista marcada pela desigualdade, opressão e exploração”, afirmou.

 

“Não esqueceremos. Seguiremos cobrando das autoridades que respondam, quem matou e porque Marielle Franco e Anderson Gomes”, concluiu.