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11 de abril de 2017

#MexeuComUma MexeuComTodas! Violência contra a mulher não vamos aceitar




A forte pressão que as mulheres vêm travando contra o machismo nas redes sociais é fruto do protagonismo nas lutas 

Ao longo das últimas semanas uma série de notícias sobre casos de machismo bombardeou o universo das redes sociais. Uma ofensiva das mulheres e do feminismo fizeram pressão e denunciaram o artista global, José Mayer, por ter assediado uma figurinista. E segundo relatos, essa não foi a primeira vez que o artista oprime uma mulher no Estúdios Globo. O movimento #MexeuComUmaMexeuComTodas foi a expressão da solidariedade entre as mulheres e fez com que a Globo recuasse e se posicionasse contra o caso.

As notícias de que existia constantemente violência machista na casa mais vigiada do Brasil (BBB17) também tomaram conta da timeline do facebook, e mesmo quem não assistia ao programa, ficou sabendo do machista que era o médico Marcos. Apesar de muitas denúncias, a globo alimentou a violência e em algumas das falas do apresentador Thiago Leifert, ele declarou que entendia que a postura de Marcos estava relacionada a pressão que ele sofria no programa. A globo só expulsou o Marcos quando a delegada da Mulher do Rio de Janeiro solicitou as imagens e declarou que o Marcos se enquadrava na Lei Maria da Penha. Faltando apenas três dias para acabar o programa não teve jeito, a Globo precisou se render às mulheres e o ex BBB perdeu a disputa. Agora são três mulheres na final. É necessário afirmar que as manifestações e a força das mulheres mostraram que quando a nossa voz se une, o nosso grito ecoa mais alto e é possível termos vitórias, mas sabendo que ainda temos muito que lutar.

No fim de semana também ocorreu o caso dos estudantes de medicina da Universidade de Vila Velha, do Espírito Santo, onde publicaram uma foto nas redes sociais vestindo jalecos, com as calças abaixadas e as mãos simbolizando uma vagina. Em uma das postagens, o grupo usou a hashtag “#PintosNervosos”. No dia seguinte, o tema foi denunciado nas redes sociais. A informação é de que são estudantes do último ano de medicina e futuros ginecologistas. Esse caso além de reforçar a cultura do estupro, coloca a violência contra a mulher em tom de deboche e naturaliza o estupro, isso não tem nenhuma graça. Uma mulher é estuprada no Brasil a cada 11 minutos, segundo estatística recolhida pela FBSP. Como muitas mulheres não denunciam, apenas 30% a 35% dos casos são registrados. Isso significa que o número é assustadoramente maior. Ao todo, no Brasil, 47,6 mil mulheres foram estupradas em 2014. São números alarmantes. Esses estudantes ainda não começaram a exercer a profissão, mas já demonstram que atitudes como essa faz lembrar o caso do ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a 181 anos de cadeia pelo estupro das próprias pacientes.

Apesar da histórica conquista da Lei Maria da Penha através da luta do movimento de mulheres, a lei ainda é insuficiente. É necessário que os governos se responsabilizem e reconheçam que o crescimento da violência tem a ver com a falta de investimento em políticas públicas de combate a violência contra a mulher. Atualmente, o governo federal fez um corte de 61% dos investimentos as mulheres vítimas de violência e 54% de promoção as mulheres.

A forte pressão que as mulheres vêm travando contra o machismo nas redes sociais é fruto do protagonismo que elas vêm fazendo nas lutas e nas ruas, não só no Brasil, mas também no mundo inteiro. O 8 de março foi um exemplo importante. Assim como, o dia 15 e 31 de março. É necessário que exista essa corrente de solidariedade entre as mulheres e os homens mais consciêntes da nossa classe, que combatam a violência machista junto com a gente. As mulheres estão dispostas a lutar, assim como a classe trabalhadora que vem dando exemplos de muita resistência contra as reformas de Temer. O machismo pode ser um instrumento forte do sistema capitalista para tentar nos dividir e nos oprimir, mas enquanto houver vozes quebrando o silêncio, ele vai ter que se render a nossa força, até que sejamos livres ao ponto de enterndermos que não há outra saída a não ser destruí-lo. Não vamos nos calar.

 

 

Autor: Fernanda Psoa, do Movimento Mulheres em Luta-RN

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