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16 de setembro de 2019

O machismo mata: casos de feminicídio cresceram 4% no Brasil, entre 2017 e 2018




As vítimas são majoritariamente negras e representam 61% das mortes. Além disso, cerca de 70% possuem baixa escolaridade e estudaram até o ensino fundamental.

Os homicídios reduziram no país, mas isso não se aplica quando se faz o recorte de gênero. Os assassinatos de mulheres aumentaram, sobretudo das negras, entre 2017 e 2018. É o que aponta o levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta terça-feira (10).

De acordo com o levantamento, os casos de homicídios diminuíram 10%, mas os de feminicídio aumentaram em 4% no mesmo período.

As vítimas são majoritariamente negras e representam 61% das mortes. Além disso, cerca de 70% possuem baixa escolaridade e estudaram até o ensino fundamental.

Dados que revelam que as mulheres que estão na base da pirâmide social, ou seja, as negras e pobres, são as que mais morrem vítimas da violência machista.

Houve ainda um aumento de 62,7% do crime de assassinato de mulheres em comparação com 2015, ano em que a Lei do Feminicídio foi criada. Em quatro anos, foram registradas mais de 2 mil mortes de mulheres, o que significa uma vítima a cada oito horas.

Os casos de lesão corporal também cresceram de 2017 a 2018 e cresceram de 252.895 registros para 263.067. O que representa que a cada dois minutos uma mulher sofre violência doméstica no Brasil.

Esses dados assustam mais quando apontam que 88,8% dos agressores são pessoas próximas às vítimas, como ex-maridos ou parceiros. A violência é cometida dentro de casa e são 65,6% dos casos.

O estupro contra jovens mulheres também chama atenção no levantamento feito. Entre 2017 e 2018, a cada uma hora, quatro garotas de 13 anos são violentadas no país, o que representa 52,8% de vítimas.

Incluindo vítimas mulheres (81,8%) e homens (18,2%), em dois anos foram mais de 127 mil ocorrências de casos de estupro. Só em 2018, foram registrados mais 66 mil casos, o maior número já registrado desde que os dados para esse tipo de crime passaram a ser coletados.

Segundo o estudo, em praticamente 80% dos casos as vítimas possuem algum tipo de vínculo com o agressor. São parentes, companheiros, amigos, com 96,3% dos casos, sendo os autores homens.

Outro dado inédito levantado na pesquisa, aponta que o estupro coletivo representa 6,8% de vítimas, um número considerado alto se avaliada a atrocidade desse tipo de crime.

Para a integrante do Movimento Mulheres em Luta, Marcela Azevedo, esses crimes estão relacionados com o machismo e a negligência dos governos de plantão. “Não só tem crescido o discurso de ódio contra as mulheres, impulsionado pelo governo Bolsonaro, como os investimentos em políticas para mulheres vem diminuindo ano a ano”, aponta.

Marcela conclui que ” mesmo com leis importantes que foram aprovadas, o investimento nunca foi suficiente para tirá-las do papel. Atualmente, os poucos serviços de combate a violência que existiam estão sendo desmantelados, deixando as mulheres ainda mais vulneráveis”.

 

Autor: Comunicação Sindsaúde

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