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02 de janeiro de 2018

Com salários atrasados e sem 13º, servidores da saúde do RN iniciam 2018 em greve




Greve completou 50 dias no primeiro dia do ano de 2018

A saúde do Rio Grande do Norte completou 50 dias de greve no primeiro dia do ano. 2017 acabou, mas têm servidores que ainda não receberam o salário de novembro e nem o 13º salário.

A folha de dezembro nem se fala, só foi paga até agora aos servidores da ativa de órgãos da administração indireta e da educação, que têm recursos próprios. Os demais servidores, aposentados e pensionistas, contudo, continuam sem receber. O Governo anunciou que só deve concluir a folha, apenas no dia 30 de janeiro.

Na reta final de 2017, o que os servidores ganharam foi apenas desprezo do governador Robinson Faria (PSD), demonstrando que não se importa com a vida dos servidores e nem de suas famílias.

Os trabalhadores e a população do Rio Grande do Norte estão vivendo dias cada vez mais dramáticos. Mergulhado no caos econômico, político e social, o RN se aproxima da situação em que se encontra o estado do Rio de Janeiro. Aqui, assim como em outros lugares do país, os efeitos da crise econômica também são descarregados nas costas dos trabalhadores.

Os servidores públicos vêm amargando uma das maiores crises dos últimos anos. Desde janeiro de 2016, o governador Robinson Faria (PSD) está atrasando os salários do funcionalismo e o pagamento é feito de forma escalonada: primeiro recebem aqueles com salários mais baixos; depois, conforme entram recursos, os demais servidores. O atraso no pagamento tem afetado as necessidades mais básicas dos trabalhadores, em especial os da saúde pública. Falta dinheiro para ir ao trabalho e até mesmo para se alimentar.

Endividados, com as contas atrasadas e sem dinheiro sequer para o transporte, os servidores públicos estão chegando ao limite e já começaram a faltar o trabalho, a exemplo dos trabalhadores da saúde. Alguns setores como o centro cirúrgico do Walfredo Gurgel foi fechado por falta de funcionários.

Em meio ao caos e descaso do governo com a vida dos trabalhadores, duas categorias do funcionalismo têm dado exemplo de luta e resistência. Em greve há mais de um mês, os servidores da saúde e os professores da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte vêm realizando manifestações conjuntas e já enfrentaram a repressão policial e a truculência do governo por duas vezes. Já acamparam na Governadoria do Estado e também ocuparam a Secretaria de Planejamento. E nem mesmo as bombas de efeito moral, spray de pimenta e gás lacrimogêneo fizeram o movimento retroceder.

Mesmo com a tentativa de criminalizar a greve por parte do governo e o total descaso da gestão em solucionar os problemas, a luta das categorias continua forte e cresce a cada dia, recebendo inclusive o apoio da população.

No dia 19 de dezembro, o quadro dramático pelo qual passam os servidores se intensificou e levou os policiais militares a também cruzarem os braços, junto com os demais trabalhadores. A população de Natal e do Rio Grande do Norte passaram a virada do ano em suas casas, com dedo da violência e insegurança, mesmo com a Força Nacional nas ruas.

Entretanto, a insegurança no estado já é uma constante e tem colocado o RN em segundo lugar no ranking de estados mais violentos do Brasil, atrás apenas de Sergipe, conforme dados do 11º Anuário de Segurança Pública, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em outubro deste ano, o Rio grande do Norte atingiu a marca de 2 mil homicídios. Um número alarmante. O abandono do estado na segurança pública também se reflete na saúde e educação, que enfrentam problemas semelhantes, como as péssimas condições de trabalho e a falta de pessoal.

Esta situação de colapso nos serviços públicos poderia ser evitada se o preço da crise econômica fosse pago por seus reais responsáveis.

Assim como fizeram seus antecessores, o governador Robinson repete que o estado não tem dinheiro para honrar seus compromissos, sobretudo com os trabalhadores. É verdade que existe uma crise econômica, mas o governo não diz ao povo tudo o que sabe nem faz o que deveria fazer.

No Rio Grande do Norte, apenas 100 grandes empresas devem ao Estado R$ 2,8 bilhões. O valor é quase metade de toda a Dívida Ativa do RN, estimada em R$ 6 bilhões, conforme levantamento feito pela agência de reportagem potiguar Saiba Mais, com base nos dados da Procuradoria Geral do Estado. Se o débito das empresas fosse quitado, o governo pagaria o equivalente a seis meses de salário dos servidores públicos. A maior parte dessa dívida está relacionada ao pagamento de ICMS, mas há também multas do Procon, Idema e Tribunal de Contas do Estado.

Na verdade, para manter os lucros e privilégios dos ricos e poderosos, o governo repassa os prejuízos da crise econômica para os trabalhadores e a população mais pobre, sacrificando aqueles que não são responsáveis pelo caos no estado. A servidora da saúde, o professor, o policial e todos que precisam dos serviços públicos. Junto com o discurso da crise, patrões e governos como o de Robinson e Temer dizem que os direitos dos trabalhadores são privilégios e inventam reformas da previdência e trabalhista para que os mais pobres paguem a conta.

Assim como todo o Brasil, o Rio Grande do Norte precisa unir todos os trabalhadores, servidores públicos e a população, numa grande greve geral que derrote os ataques do governo e faça os ricos e poderosos pagarem pela crise que criaram.

 

Autor: Comunicação Sindsaúde

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